segunda-feira, 12 de março de 2018

PIB no quarto trimestre - fechando 2017


Mais de uma semana após a divulgação, pelo IBGE, das Contas Nacionais Trimestrais para o quarto trimestre de 2017, e realizando um acompanhamento sistemático da discussão acerca desses dados, cabe fazermos somente uma ressalva sobre as contribuições dos componentes da demanda para a taxa de crescimento do PIB de 1% ao final do ano. A decomposição tradicional para as contribuições ao crescimento, obtida a partir das taxas de crescimento de cada um dos componentes multiplicadas pelas participações de cada um no PIB, resulta no seguinte para o ano de 2017:


PIB
Consumo das Famílias
Formação Bruta de Capital Fixo
Consumo do Governo
Exportações
Importações
Variação de estoques (resíduo)
Participações (%)
100,0
64,0
16,1
20,2
12,5
12,1

Taxas de crescimento (%)
1,0
1,0
-1,8
-0,6
5,2
5,0

Contribuições (%)

0,6
-0,3
-0,1
0,6
0,6
0,7

Nota-se que a soma das participações, sempre obtidas a valores correntes, ultrapassa 100%, o que implica uma variação negativa de estoques para o ano-base (2016), resultando numa participação negativa carecendo de significado econômico, como de praxe para esse componente. Seguindo para as taxas de crescimento, em volume, de cada componente, e multiplicando-as por suas contribuições, obteríamos contribuições positivas do Consumo das Famílias e das Exportações, as quais, compensadas pelas contribuições (negativas) dadas pelas quedas da Formação Bruta de Capital Fixo e do Consumo do Governo e pelo aumento das Importações, resultariam numa soma de 0,3% para o crescimento do PIB (0,2% na tabela em virtude dos arredondamentos). Esse seria o crescimento do PIB caso não considerássemos o resíduo dado pela Variação de estoques, que contribui com 0,7 p.p. para uma taxa de crescimento do PIB de 1,0%. Ou seja, a maior contribuição positiva ao crescimento do PIB no ano de 2017 adveio da Variação de estoques, informação, no mais das vezes, ausente do debate sobre esses dados. Numa apresentação da Secretaria de Política Econômica, do Ministério da Fazenda (p. 16), podemos encontrar os mesmos valores para as contribuições dos componentes da demanda, por ter sido realizada, naturalmente, a mesma decomposição apresentada acima. Também na Carta de Conjuntura do IPEA (p. 6), onde o mesmo exercício de decomposição é feito, pode ser encontrada a afirmação de que “no acumulado do ano, influenciado pelo ótimo desempenho da lavoura, os estoques adicionaram 0,7 p.p. ao PIB”.

A advertência não se aplica aos resultados isolados dos dois últimos trimestres, quando a Variação de estoques apresentou contribuição negativa, mas para o acumulado do ano, precisamente em virtude de contribuições positivas muito grandes desse componente nos dois primeiros trimestres. Vale ressaltar que alertas anteriores a respeito, em virtude do ocorrido no primeiro semestre do ano, podem ser encontrados na análise do segundo trimestre – com ressalvas para o acumulado em quatro trimestres também na análise da divulgação para o terceiro trimestre. Antes disso, uma visão pessimista, em virtude de tal comportamento para a variação de estoques e baseada na divulgação para o primeiro trimestre do ano, pode ser encontrada neste artigo.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

IBC-BR de dezembro - fechando 2017

De acordo com a divulgação de hoje para o IBC-BR de dezembro, o acumulado do ano mostra um nível de atividade crescendo a uma taxa de 1,04% em 2017. O último trimestre do ano apresentou crescimento de 2,56% ante o mesmo período de 2016, com o pico de crescimento, de 2,93%, em outubro, seguido de 2,60% em novembro e 2,14% em dezembro, sempre na comparação com igual mês do ano anterior. Com a trimestralização adotada pelo NEMEC para compatibilização com as Contas Nacionais, a taxa de crescimento do IBC-BR para 2017 foi estimada em 0,66%.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

IBC-BR de outubro

A divulgação de hoje do IBC-BR ajuda a justificar o otimismo do mercado financeiro com relação ao crescimento do PIB para 2017 - além de as estimativas para o fechamento do ano implicarem crescimento maior neste último trimestre do que o apurado nos primeiros três quartos do ano, essas vêm sendo revistas para cima, de modo que a mediana das previsões, que se situava em 0,73% quatro semanas atrás, já é de 0,96% na divulgação de hoje do Boletim Focus. Na comparação com igual mês do ano anterior, outubro registrou crescimento de 2,92%. No entanto, vale o registro de que o crescimento de setembro foi revisto para baixo desde a divulgação anterior, passando de 1,30% para 0,68% na divulgação de hoje, o que levou a estimativa para o crescimento no terceiro trimestre de 1,45% para 1,16%. No acumulado do ano, a inclusão de outubro nos situa a uma taxa de crescimento de 0,75%, enquanto teríamos 0,51% a partir dos dados já revisados até setembro. Da menor para a maior taxa de crescimento para o fechamento do ano, teríamos 0,42% supondo estagnação em novembro e dezembro, 0,44% e 0,56%, respectivamente, ao projetarmos os dois meses restantes do ano a partir de médias do crescimento para doze e três meses imediatamente anteriores.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

PIB no terceiro trimestre de 2017

Na comparação com igual trimestre do ano anterior, o terceiro trimestre de 2017 apresentou uma taxa de crescimento de 1,41%, resultado muito próximo ao antecipado pelo IBC-BR (1,45%). No acumulado para quatro trimestres, entretanto, a taxa indicada pelo IBC-BR (-1,01%) em muito superestima a magnitude da queda verificada na divulgação de hoje das Contas Nacionais Trimestrais (-0,17%), implicando uma aderência muito menor do indicador para os trimestres anteriores. Dentre as atividades econômicas, de longe, a contribuição positiva da Agropecuária é a maior para o acumulado em quatro trimestres, a partir de uma alta de 11,6%, algo menor (9,1%) tomando-se somente o terceiro trimestre na comparação com igual período do ano anterior. Nessa comparação, também a Indústria de transformação apresentou crescimento significativo (2,4%), mesma taxa apresentada pela Indústria extrativa. Destaque positivo também para o Comércio (3,8%) e negativo, mais uma vez, para a Construção (-4,7%). Decompondo-se o crescimento de 1,4% pelos componentes da demanda, as contribuições positivas vieram do Consumo das Famílias, cuja taxa de crescimento de 2,2% contribuiu positivamente com 1,4%, e das Exportações, com uma taxa de crescimento de 7,6% contribuindo com 1,0% para o crescimento. As taxas de crescimento dos demais componentes (-0,6% para o Consumo do Governo, -0,5% para a Formação Bruta de Capital Fixo e +5,7% para as Importações) contribuíram negativamente com 0,1%, 0,1% e 0,8%, respectivamente, a serem somadas à contribuição negativa de 0,1% da Variação de Estoques. Sobre essa última, ao contrário do apurado para os dois primeiros trimestres do ano, sua contribuição passou a ser negativa neste terceiro trimestre, apesar de ainda constituir a principal contribuição positiva ao crescimento no acumulado em quatro trimestres. À exceção das Exportações, todos os demais componentes da demanda ainda contribuem negativamente para o crescimento do PIB acumulado em quatro trimestres. Comparando-se as duas últimas divulgações para trimestres com relação ao mesmo período do ano anterior, merecem destaque ainda nova mudança de sinal para as Importações (que estavam em queda até o último trimestre de 2016, apresentaram crescimento no primeiro trimestre de 2017, nova queda no segundo e crescimento neste terceiro trimestre), a redução do ritmo de queda da Formação Bruta de Capital Fixo (de -6,5% para -0,5%) e do Consumo do Governo (de -2,4% para -0,6%), além da aceleração do crescimento de Consumo das Famílias (de 0,7% para 2,2%) e Exportações (de 2,5% para 7,6%).

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

IBC-BR de setembro

Com a divulgação de hoje para o IBC-BR de setembro, confirma-se um terceiro trimestre com crescimento positivo (1,45%) frente a igual período do ano anterior. Com o crescimento de 1,30% registrado para setembro na compação com o mesmo mês do ano anterior, o acumulado do ano se situa em 0,43% de crescimento, nos levando a um acumulado em quatro trimestres de -1,05%, resultado próximo ao projetado pela média dos três meses imediatamente anteriores até a divulgação para agosto. Médias para o crescimento dos doze meses imediatamente anteriores nos levariam a um fechamento do ano com taxa de crescimento de 0,03%, a qual seria sensivelmente superior (0,33%) levando-se em conta somente os três meses imediatamente anteriores. Na hipótese de estagnação até o final do ano, o carregamento dos três primeiros trimestres nos levaria a uma taxa de crescimento de 0,09%.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

IBC-BR de agosto

Divulgado o IBC-BR para agosto, reforça-se a percepção de que o terceiro trimestre girará em terreno positivo na comparação com o mesmo período do ano anterior. Com dados revisados (revisão retroativa até janeiro de 2015), se o acumulado do ano até julho já atingia 0,11%, o acumulado até agosto está em 0,31%, em virtude do crescimento de 1,64% observado para agosto de 2017 na comparação com igual mês do ano anterior. Se, na hipótese de estagnação para os cinco meses restantes após julho, fecharíamos o ano com uma taxa de crescimento de -0,17% (dados revisados), a inclusão de agosto nos levaria a fechar o ano a -0,03% caso os quatro meses restantes repetissem o que observamos em 2016. Para acumulados em quatro trimestres, caso o crescimento dos meses restantes fosse dado pela média dos três meses imediatamente anteriores, chegaríamos a uma taxa de crescimento de -1,07% no fechamento do terceiro trimestre e de 0,24% no fechamento do ano.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

IBC-BR de julho

De acordo com os dados de julho para o IBC-BR, divulgados hoje, iniciamos o segundo semestre em terreno positivo, com um crescimento de 1,4% com relação a igual mês do ano anterior, o que nos leva de um acumulado até junho da ordem de -0,07% (dados revisados) para um acumulado até julho de 0,14%. O carregamento do crescimento até julho nos levaria, na hipótese de estagnação para os cinco meses restantes do ano, a uma taxa de crescimento de -0,15% no fechamento de 2017. Supondo um crescimento mensal dado pela médias dos três meses imediatamente anteriores, fecharíamos o terceiro trimestre a uma taxa de crescimento de -1,12% (para acumulados em quatro trimestres) e o ano  a uma taxa de crescimento positiva, da ordem de 0,13%.