O IBGE publicou anteontem, 20/04, nota informativa na qual aponta erros nos fatores de expansão da amostra para os microdados da PNAD Contínua relativos ao último trimestre de 2015, divulgados em 15 de março. Uma vez que em nota anterior, datada do mesmo dia, divulga-se um cálculo do índice de Gini baseado em tais microdados (que continham erros), torna-se necessária uma correção também aqui:
- Recalculando o índice de Gini a partir dos novos fatores de expansão fornecidos pelo IBGE (os microdados foram atualizados pelo instituto em 20/04), encontramos um nível de 0,5577.
- Portanto, o aumento da desigualdade no último trimestre de 2015 foi menor do que o detectado anteriormente.
- Contudo, as conclusões anteriores se mantêm inalteradas, pois: (i) um aumento foi detectado no último trimestre do ano, contrariando o padrão sazonal; (ii) o coeficiente de Gini encontrado continua sendo o maior para todos os últimos trimestres da série; e (iii) tomando-se médias anuais, estabilidade ou leve aumento para 2015 ainda é o resultado provável.
sexta-feira, 22 de abril de 2016
terça-feira, 15 de março de 2016
PNAD Contínua e Desigualdade
Com os microdados para a PNAD Contínua relativos ao último trimestre de 2015 divulgados hoje, podemos complementar as informações contidas na Nota de Pesquisa acerca da desigualdade de renda divulgada neste espaço. Calculando o índice de Gini para o quarto trimestre de 2015, constatamos um aumento da desigualdade (o índice passou para 0,5595), seja em relação ao trimestre imediatamente anterior (0,5551), seja na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior (0,5484). Em termos de médias anuais, pode-se notar estabilidade ou leve aumento na desigualdade para 2015 com relação ao ano anterior. Ainda, estabilidade ou leve redução na comparação com 2013 e um nível de desigualdade inferior ao observado no ano de 2012 deve prevalecer para as análises para o ano de 2015. As ressalvas relativas ao cálculo de medidas de desigualdade para a PNAD Contínua contidas na referida nota devem ser levadas em consideração.
segunda-feira, 14 de março de 2016
A divulgação do IBC-BR de janeiro, realizada hoje pelo Banco Central, corrobora com as estatísticas já divulgadas para o início deste ano, as quais sinalizam que a queda da atividade econômica continua ganhando força. Em termos de acumulados em quatro trimestres, caso o ritmo de queda mantivesse o mesmo ímpeto dado pela média dos três últimos meses (novembro, dezembro e janeiro), teríamos uma taxa de crescimento de -4,85% ao encerrarmos o primeiro trimestre do ano. Ainda que o ritmo de queda fosse estancado para fevereiro e março de 2016 (estagnação com relação aos mesmos meses do ano anterior), já teríamos o trimestre encerrado em março com taxa de crescimento de -4,29%. Para termos uma ideia do ritmo de queda acentuado captado para janeiro, estendendo a hipótese de estagnação (com a base já deprimida do ano de 2015) para os demais meses do ano, encerraríamos o segundo trimestre com taxa de crescimento de -3,70%, o terceiro trimestre com -2,71% e o ano com -1,18%.
quinta-feira, 3 de março de 2016
A partir dos dados das Contas Nacionais Trimestrais divulgados hoje, a taxa de crescimento para o PIB em 2015 foi de -3,85%. Novamente, o IBC-BR, trimestralizado de acordo com metodologia do NEMEC, subestimou o ritmo da queda. Ressalta-se, entretanto, que a correlação entre as duas séries desde o início da divulgação do IBC-BR não se alterou e continua superior a 0,99. Decompondo o crescimento de acordo com a demanda, os componentes que mais contribuíram para a queda de 3,85% foram a Formação Bruta de Capital Fixo, com -2,84%, e o Consumo das Famílias, com -2,49%. Houve ainda contribuição negativa dos componentes Consumo do Governo, com -0,20%, e Variação de Estoques, com -0,98% (totalizando uma contribuição negativa do Investimento de -3,82%). As contribuições positivas foram dadas pelas Exportações, com 0,68% e pela queda das Importações, contribuindo com 1,99%.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
A partir dos dados para o IBC-BR de dezembro, divulgados hoje, a previsão do Banco Central para a queda da atividade econômica no ano de 2015 é de 3,59%, no limite máximo de queda se considerássemos somente os dados até novembro (de fato, 0,02 p.p. a mais de queda a partir da hipótese de manutenção do ritmo de queda, para dezembro, dado pelos média de setembro a novembro). A deterioração do cenário econômico no ano de 2015 torna-se patente, uma vez que somente a partir da divulgação do IBC-BR de outubro tal magnitude de queda entrou no intervalo de nossas previsões (com os dados fechados até o terceiro trimestre, o máximo previsto seria um crescimento de -3,45%).
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Com os dados do IBC-BR para novembro divulgados hoje pelo Banco Central e restando, portanto, somente um mês para o fechamento da previsão completa para o ritmo do nível de atividade para o ano de 2015, o intervalo de nossas previsões (supondo que o IBC-BR é um bom previsor para o PIB) tornou-se bastante estreito, entre crescimento de -3,4% e -3,6%. Admitindo que o ritmo de crescimento para o nível de atividade em dezembro de 2015 seja dado: (i) pela média dos últimos três meses (setembro a novembro), temos um crescimento de -3,57%; (ii) pela média dos primeiros onze meses do ano, temos um crescimento de -3,51%; e (iii) pelo mesmo mês do ano anterior (estagnação), temos uma taxa de crescimento de -3,41%. Vale ressaltar que a mediana para o crescimento do PIB do boletim Focus de 31 de dezembro (o último contendo previsões para o crescimento em 2015) apontava para uma queda de 3,71%. Cabe lembrar, porém, que, a partir do IBC-BR, subestimamos o ritmo de queda para o fechamento do terceiro trimestre do ano passado, quando contrastado com a divulgação oficial do IBGE.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Atualizando nossas projeções a partir dos dados do IBC-BR divulgados hoje pelo Banco Central, com a intensificação do ritmo de queda constatada em outubro, podemos afirmar que: (i) mantido o ritmo de queda dos últimos 3 meses (agosto, setembro e outubro), fecharemos o ano com uma taxa de crescimento de -3,60%; (ii) persistindo o ritmo ditado pela média dos primeiros dez meses do ano, fecharemos o ano com uma taxa de crescimento de -3,42%; e (iii) se o nível de atividade se estabilizar nos últimos dois meses do ano, projeta-se
uma taxa de crescimento de -3,12%. Vale ressaltar que a mediana das previsões divulgada no último Boletim Focus aponta para queda do PIB de 3,62% no ano de 2015.
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